Artigo: Cooperativas e empregos

Roberto Rodrigues

Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas

Cooperativismo é a doutrina que visa corrigir o social por meio do econômico”. Eis a definição clássica simplificada desse extraordinário movimento socioeconômico, que vem permitindo, com o passar dos tempos, a inserção de milhões de homens e mulheres de forma digna e permanente na economia global.

A definição acima não deixa margem a nenhuma dúvida: a doutrina é adversária de qualquer tipo de exclusão social, sobretudo quando determinada pela concentração da riqueza, inclusive daquelas resultantes de fusões e aquisições de empresas pequenas por outras maiores. Isso posto, Cooperativas E EMPREGO fica também evidente que o cooperativismo defende e atua — por meio de seu instrumento essencial, as cooperativas — na geração de trabalho decente para todos aqueles que estão em seu entorno direto: os cooperados, os dirigentes e os funcionários.

Mais do que isso. Na última revisão dos princípios cooperativistas, realizada em Manchester, na Inglaterra, em 1995, foi criado um sétimo princípio: o da preocupação com a comunidade na qual a cooperativa esteja inserida. O que estava por trás dessa inovação doutrinária? Simples: os pensadores da vanguarda do cooperativismo entenderam que não haveria bem-estar geral em uma comunidade, por maior que seja fosse, se a cooperativa cuidasse apenas de seus cooperados e colaboradores. Para nós, cooperativistas, só haverá felicidade verdadeira se todos os membros da comunidade forem direta ou indiretamente beneficiados pela cooperativa.

É igualmente premissa clara do nosso movimento que as relações de trabalho na área de ação da cooperativa sejam cercadas de humanismo e dignidade. Somos a face humana da economia, reconhecida pela equidade, pela justiça — na acepção mais ampla dessa palavra —, pela fraternidade e pela solidariedade.

Ao mitigar temas dramáticos como a exclusão social e a concentração da riqueza, seja no campo, seja na cidade, seja em setores de serviços ou de empreendedorismo, o cooperativismo busca a cidadania plena, com igualdade de oportunidades a todos os cidadãos; e procura a geração de empregos e renda que permitam a ascensão social de cada pessoa e de suas famílias. Essa é a essência da doutrina cooperativista e deve ser a prática das cooperativas de todos os ramos, e passa pela redução do desemprego, a maior praga de uma sociedade.

Bruno Oliveira

Bruno Oliveira

Analista de Comunicação do Sistema OCB/RJ. Formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, MBA em Marketing e Comunicação Empresarial e em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.