O convite para uma assembleia chega. A data está marcada, a pauta foi enviada e os canais de comunicação fizeram a divulgação. Mesmo assim, uma parte dos cooperados não comparece. E, diante desse cenário, a pergunta que fica é: por que as pessoas não há participação?
E aí vem uma segunda pergunta: o cooperado compreende como pode contribuir, quais assuntos serão discutidos e de que maneira aquelas decisões afetam sua relação com a cooperativa?
A Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, realizada entre janeiro e março de 2026, com 9.761 respondentes nas 27 unidades federativas, oferece elementos importantes para essa reflexão.
Entre as barreiras à participação apresentadas no levantamento, a falta de tempo aparece com 36%. A falta de informação sobre como participar representa 22%, enquanto 12% indicam que não sabiam que podiam participar. A falta de conhecimento sobre o cooperativismo aparece com 10%, e a falta de interesse, com 9%.
Os números do levantamento convidam as lideranças a examinar as condições que são oferecidas para a participação. Por mais óbvio que possa parecer, há pessoas que precisam de mais clareza, orientação e oportunidades compatíveis com sua rotina para conseguir se envolver.
E nisso, a comunicação tem um papel decisivo. Um exemplo é um convite informar o horário e o local de uma reunião, mas não deixar claro o que estará em discussão, como o cooperado pode se preparar e por que sua contribuição importa.
Quando a pauta envolve planejamento, investimentos ou resultados, por exemplo, é necessário traduzir os assuntos para uma linguagem compreensível. Ou seja, explicar os pontos que exigem decisão, contextualizar as alternativas e apresentar suas possíveis consequências. Assim, o cooperado poderá formular melhores perguntas e construir sua opinião.
Tem de se considerar, também, as diferenças entre os públicos. Uma pessoa que ingressou recentemente pode precisar de orientações básicas sobre o funcionamento da cooperativa. Outra, com muitos anos de vínculo, pode conhecer os processos e ainda encontrar dificuldades para acompanhar as discussões. Horários de trabalho, distância, acesso à tecnologia e familiaridade com os canais utilizados merecem atenção.
Por isso, ampliar a participação começa pela escuta. Perguntar aos cooperados quais obstáculos enfrentam ajuda a identificar ajustes possíveis na organização dos encontros, na antecedência das comunicações e nas formas de esclarecer dúvidas.
E isso precisa acompanhar toda a experiência do cooperado. Desde sua entrada, é importante que ele compreenda seu papel no empreendimento, conheça os espaços de participação e saiba a quem recorrer quando quiser apresentar uma sugestão. A educação cooperativista dá sustentação a essa construção.
O próprio levantamento reforça essa conexão: Educação, Formação e Informação foi o princípio mais valorizado por cooperados, empregados e dirigentes. Existe, portanto, uma oportunidade de aproximar a formação do cotidiano das decisões, utilizando situações concretas para explicar como o negócio funciona e como cada pessoa pode contribuir.
E quanto à devolutiva? Depois de ouvir os cooperados, a organização precisa comunicar o que foi discutido, quais encaminhamentos foram definidos e por que determinadas propostas foram ou não incorporadas. Esse retorno torna o processo mais compreensível e demonstra o tratamento dado às contribuições recebidas.
A pesquisa também revela uma base de confiança a ser cultivada: entre os cooperados ouvidos, 89% pretendem manter uma relação de longo prazo com a cooperativa e 87% a recomendariam a um amigo ou familiar. Esses indicadores coexistem com as barreiras à participação identificadas no estudo. Cabe às lideranças compreender como transformar esse vínculo em envolvimento nas decisões.
Para o Sistema OCB/RJ, essa reflexão está diretamente ligada ao fortalecimento da cultura cooperativista. Desenvolver cooperativas passa por preparar pessoas para compreender, acompanhar e contribuir com os rumos dos empreendimentos dos quais fazem parte.
Cooperados que tenham dúvidas sobre sua participação nas decisões ou que desejem compreender melhor o funcionamento de sua cooperativa podem contar com a orientação dos técnicos do Sistema OCB/RJ. O contato pode ser feito com o setor de Monitoramento, pelo e-mail monitoramento@rio.coop ou pelo telefone (21) 2232-0133.
Vale, então, levar a pergunta para a próxima reunião de gestão: se um cooperado quiser participar mais ativamente das decisões, ele saberá por onde começar — e encontrará condições para isso?