Cooperativismo de Plataforma é alternativa à ‘uberização’ dos serviços

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O superintendente do Sescoop/RJ, Abdul Nasser, foi um dos entrevistados do Programa Rio em Foco, da TV Alerj, (Canal 12 da Net), que foi ao ar nesta segunda-feira (26/8). A atração contou também com a presença da CEO da Ions Innovation e Hacking.Rio Lindalia Sofia Junqueira, e debateu o Cooperativismo de Plataforma – que objetiva transformar funcionários e usuários dessas empresas virtuais em donos do seu próprio negócio Clique aqui para assistir ao programa na íntegra.

O Cooperativismo de Plataforma é um movimento que surgiu em Nova York, na década de 1970, e rapidamente se espalhou pelo mundo. O Brasil, entretanto, ainda engatinha nesse processo. “A diferença entre uma cooperativa de plataforma e uma empresa é que quem está na base, quem é o entregador, o motorista, o trabalhador é o dono. Você democratiza a propriedade e resgata aquele momento inicial da internet, de dar mais participação às pessoas”, explica Abdul Nasser.

Segundo Abdul, embora ainda incipiente no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, o movimento é pujante. “A gente brinca que para cada Estrela da Morte que surge _ que é como chamamos aquelas empresas que tem dominado percentuais relevantíssimos do mercado _, aparece uma start up Jedi oferecendo uma alternativa”, diz. Ele cita como exemplos o caso da Fairmondo, plataforma de vendas alemã ao estilo E-bay ou Amazon, que só vende produtos eticamente corretos ou da Open Go, ou dos diversos aplicativos que aproximam profissionais como faxineiras, eletricistas, encanadores, de seus potenciais clientes por geolocalização _ modelo que já chegou ao Brasil pelo GetNinjas.

O Cooperativismo de Plataforma será um dos primeiros desafios dos participantes do Hacking.Rio, que reunirá cerca de duas mil pessoas entre os dias 18 e 20 de outubro no Porto Maravilha. Já consolidado como o maior hackathon da América Latina, o evento consiste em uma maratona de programação que reúne profissionais e empreendedores do mundo digital que vão criar, durante dois dias, soluções de alto impacto para os desafios enfrentados pela cidade do Rio de Janeiro. No Hacking.Rio, 15 clusters (grupos de empresas) vão participar das maratonas entre eles hackers, programadores, especialistas em tecnologia e universitários.

“Os hackers vão conhecer melhor o Cooperativismo de Plataforma e quem sabe não abrem uma cooperativa de programadores? “, brinca, Lindalia Junqueira. Ela lembra que existem cerca de 750 mil vagas de programadores, desenvolvedores e profissionais de marketing digital disponíveis no mercado. “Mas vejo que esses profissionais não querem mais se filiar de uma maneira tradicional às empresas. Por isso essas empresas tentam contratar os melhores hackers e não conseguem. A gente faz hackathon dentro da empresa mais para contratar do que para buscar soluções”, diz ela: “mas a gente vai ter que entender que a autonomia, a liberdade, vem junto com a responsabilidade”.

É um desafio, diz Abdul Nasser, ressaltando que as relações de trabalho como conhecemos hoje tendem a diminuir. Ele lembra de outro aspecto importante: as plataformas e aplicativos podem ser ótimos na hora escolher um meio de transporte, uma casa para passar o final de semana ou pedir uma refeição, podendo até mesmo configurar uma opção de renda para muitos brasileiros. Mas é um mercado que carece de um olhar mais atento dos gestores públicos. “Porque você não tem uma relação de continuidade de nenhum direito. Nem mesmo o direito de continuar operando na plataforma. Porque se, de alguma maneira, alguém de mau humor te classificar mal, muitas plataformas simplesmente te desligam”, diz Abdul: “daí você pega uma pessoa que estava numa situação difícil e compra uma moto, um carro, e depois é desligada, mas ficam as prestações. Isso é uma realidade que precisa de alguma regulação”.

De fato, muitos especialistas já alertam para a precarização do trabalho no caso dos aplicativos e plataformas. “Aí acredito que as cooperativas vão começar a surgir”, garante Abdul. “É natural esse processo: nem todo mundo quer o modelo que está crescendo. Outras pessoas preferem um modelo onde elas de fato possam decidir, tenham direito a transparência, a votar. Se dizem que a plataforma compartilha o que é nosso, quero ser dono dela”, diz.

Fonte: Fórum de Desenvolvimento do Rio

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