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Encontro Estadual destaca papel da rede de proteção à mulher

O mês de março, no cooperativismo fluminense, não foi marcado somente pela celebração. A reflexão também fez parte, por meio do 8° Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas do Rio de Janeiro, promovido pelo Sistema OCB/RJ e pelo Comitê Gestor de Gênero Dona Terezita, que tratou do papel da rede de proteção para o enfrentamento da violência contra a mulher. Marcado por reflexão, aprendizado e fortalecimento coletivo, o evento trouxe palestras, aula prática de defesa pessoal, depoimentos e análises sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade atual, especialmente diante do aumento da violência de gênero no estado e no país.

A programação contou com a palestra de Jociane Coutinho, psicóloga e dirigente da Unifop, que destacou o impacto da sororidade – união, irmandade e solidariedade entre mulheres, baseada na empatia e no reconhecimento de uma identidade de gênero compartilhada – como elemento essencial na proteção das mulheres.

Segundo ela, vínculos saudáveis, relações de apoio e espaços de escuta fortalecem a autonomia feminina e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa Em sua fala, Jociane apresentou uma visão histórica da construção social da mulher, ressaltando como, ao longo dos séculos, as mulheres foram submetidas a estruturas machistas que reforçam a ideia de fragilidade. “Vivemos sob uma sociedade que molda a identidade feminina a partir da submissão e do acúmulo de papéis, e isso gera adoecimento e silenciamento”, enfatizou.

Citando a escritora francesa Simone de Beauvoir e sua conhecida reflexão — “Não se nasce mulher: torna-se mulher” — Jociane provocou as participantes a refletirem sobre identidade, essência e autonomia. Deixou no ar perguntas que ecoaram entre as presentes: “O que é ser mulher? Como somos definidas? Quantas vezes fomos prejudicadas por simplesmente sermos mulheres?”.

Atendimento Especializado

O Encontro contou com a presença da delegada Alriam Miranda Fernandes, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), no Rio de Janeiro, que distribuiu aos participantes uma cartilha completa sobre violência doméstica, explicando mecanismos de proteção, redes de apoio e serviços públicos disponíveis. A delegada, em sua explanação, destacou também a necessidade da participação masculina em encontros sobre a temática. “Para construirmos uma sociedade menos violenta, os homens precisam se educar, aprender e se responsabilizar pelas mudanças necessárias”, comentou.

Durante o encontro, a delegada apresentou os principais tipos de violência previstos na legislação brasileira, reforçando a necessidade de atenção a sinais físicos e emocionais. Entre eles:

  • Violência física
  • Violência psicológica
  • Violência sexual
  • Violência patrimonial
  • Violência moral

Também foi reforçado pela autoridade policial outros pontos que merecem atenção. “Ciúmes excessivos não são demonstração de amor, mas podem ser um dos primeiros indícios de uma relação abusiva. Outro ponto central foi o alerta sobre a importância de guardar provas e indícios, quando possível, para registro na DEAM.

A Lei Maria da Penha, conforme ressaltado no encontro, protege mulheres cis e trans, em relações homo ou heteroafetivas, e considera todas as formas de violência apresentadas.

Conscientização

A defesa pessoal também foi destacada na reunião. Nesse momento, o professor de Educação Física e faixa-preta de jiu-jitsu, Mestre Rad, reforçou que a defesa pessoal é uma ferramenta indispensável para qualquer cidadão — e ainda mais essencial para as mulheres. Diante do cenário crescente de violência, destacou que aprender técnicas de autoproteção não apenas fortalece a segurança física, como também contribui para o empoderamento emocional e a confiança das mulheres em situações de risco.

Durante o encontro, conduziu uma aula prática e dinâmica sobre estratégias de defesa em casos de tentativa de agressão. A atividade proporcionou às participantes a oportunidade de vivenciar técnicas simples, porém eficazes, demonstrando que a autodefesa é um caminho possível e acessível. Mestre Rad enfatizou a importância de que cada mulher busque meios de se proteger e de conhecer seu próprio potencial de reação, ampliando assim sua autonomia e capacidade de enfrentamento.

A atendente Michelle Sabino emocionou ao relatar o impacto do encontro em sua vida. Para ela, a união das mulheres é decisiva na prevenção das violências e na construção de redes de apoio eficazes.“Quando nos unimos, nos fortalecemos. E é esse fortalecimento que pode transformar a sociedade e combater a violência contra a mulher”, afirmou.

Ana Claudia, membro do Comitê Gestor de Gênero Dona Terezita e Gerente de Gente e Cultura no Sicoob Unimais Rio, explicou que o objetivo do encontro foi oferecer um espaço de conscientização sobre a realidade enfrentada pelas mulheres no Rio de Janeiro, além de ensinar caminhos para proteção, a busca de apoio e a blindagem emocional diante das violências que têm crescido no estado e no mundo. “Quando idealizamos este encontro, pensamos em algo em que todas as pessoas presentes pudessem aprender como se defender, para onde ir e como agir diante de situações de risco”, afirmou.

O Encontro reforçou a importância de espaços de diálogo, conscientização e fortalecimento das redes de apoio. Entre reflexões profundas, depoimentos inspiradores e orientações práticas, o evento reafirmou que sororidade, informação e união são ferramentas poderosas na proteção e no empoderamento feminino. Mais do que um evento, foi um convite à ação — para que cada mulher reconheça seu valor, fortaleça seus laços e saiba que não está sozinha.

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