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Rio de Janeiro

Modelo de governança dual alinha OCB às melhores práticas de gestão

O cooperativismo brasileiro entrou em uma nova fase de gestão com a consolidação do modelo de governança dual da OCB, que separa as responsabilidades do Conselho de Administração das funções executivas da presidência. A inovação reforça a representatividade do coop, moderniza a estrutura organizacional e torna a atuação institucional ainda mais estratégica e eficiente. Assim, cada parte pode dar respostas mais rápidas às demandas de suas áreas. 

No caso da OCB, o Conselho de Administração ficará focado na definição dos objetivos estratégicos da instituição e no acompanhamento dos resultados alcançados. De acordo com o novo estatuto aprovado, caberá a ele “aprovar políticas institucionais, zelar pela efetividade da atuação da Presidência Executiva, além de garantir que as ações estejam alinhadas à missão de representar, defender e promover o cooperativismo brasileiro”.

A presidência executiva, por sua vez, direcionará seus esforços à realização das metas propostas, definindo ações estratégicas para alavancar o desenvolvimento do cooperativismo, com planos concretos, metas e resultados. 

“O modelo de gestão compartilhada tem tudo a ver com o cooperativismo, que tem como base a coletividade, democracia e transparência em todos os seus processos. A mudança é uma resposta aos desafios complexos enfrentados pelo nosso movimento, que exigem soluções ágeis e robustas para fortalecer a atuação das cooperativas na ponta”, destaca Márcio Lopes de Freitas, que permanece na presidência do Conselho de Administração. Por decisão unânime da diretoria, a presidência executiva da instituição foi confiada à Tania Zanella, primeira mulher a ocupar o cargo.

Decisão estratégica 

A reforma estatutária que consolidou a governança dual na OCB começou a ser construída em 2024, com a participação de comitês técnicos, consultorias especializadas e representantes de todas as regiões, em um processo planejado, equilibrado e transparente. A decisão é um reflexo de como o cooperativismo amadureceu ao longo dos anos e precisa de um modelo mais eficiente e sustentável de governança.

“O modelo dual permite otimizar recursos, fortalecer a atuação institucional e ampliar o foco estratégico, além de reforçar a transparência e a profissionalização. Com isso, ao final do processo, os principais beneficiados são as cooperativas e os cooperados”, explica Tania.

Quem utiliza o modelo dual?

O modelo de governança dual tem se consolidado como uma prática recorrente nos diversos ramos do cooperativismo, refletindo o seu amadurecimento institucional e o compromisso com padrões elevados de gestão.
No ramo agropecuário, a Coopercitrus é um exemplo de como essa modalidade têm trazido resultados positivos para os negócios cooperativistas. A coop separou as funções do Conselho de Administração e do corpo executivo: enquanto o colegiado é eleito em assembleia, seguindo  diretrizes estatutárias; os executivos são profissionais contratados com base em competência técnica e parâmetros de mercado.

“Nesse ecossistema, o Conselho define a estratégia com foco total no associado, exercendo o papel de direcionar e monitorar a gestão. À diretoria executiva, cabe a implementação prática dessa visão. A força da nossa governança reside no equilíbrio: um Conselho ativo e próximo, que corrige rotas e monitora entregas, aliado a um corpo executivo preparado e com liberdade para atuar no dia a dia. A sinergia entre estratégia, política e execução entrega valor real à atividade do nosso associado”, explica o presidente do Conselho de Administração, Matheus Marino.

O trabalho do conselho é subsidiado por sete comitês especializados em áreas como auditoria, compliance, inovação, sustentabilidade e investimentos. Atualmente, 18 profissionais conduzem os comitês e asseguram que cada decisão seja devidamente registrada. 

Segundo Marino, a governança dual garante que o corpo executivo tenha diretrizes claras e estratégias bem traduzidas em políticas que facilitam o direcionamento do dia a dia e tornam o propósito da cooperativa evidente para todos. Ao mesmo tempo, o conselho atua de forma mais presente, assegurando que a visão e as necessidades dos cooperados permaneçam no centro da construção estratégica.

“É um modelo que protege a cooperativa, facilita a gestão e, acima de tudo, garante que a Coopercitrus continue entregando resultados consistentes ao associado no longo prazo, independentemente de mudanças em seu quadro de liderança”, pondera o dirigente.  

No cooperativismo de crédito, a governança dual é obrigatória desde 2022, e regulada por normas do Banco Central. O modelo tem garantido um ambiente de negócios com menos riscos, maior previsibilidade e processos decisórios mais robustos, contribuindo para os resultados consistentes do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) nos últimos anos. 

De acordo com a diretora de Risco e Governança do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), Erika Kimura, a divisão entre responsabilidades estratégicas e executivas também reduz a sobreposição de funções e a concentração de poder decisório, promovendo a independência e a maior aplicabilidade de mecanismos de controle interno. “A governança dual contribui diretamente para reduzir riscos sistêmicos, fortalecer a confiança no sistema e proteger o patrimônio coletivo dos cooperados”. 

Segundo ela, a gestão compartilhada e estratégica tem sido fundamental para que o ramo Crédito avance de forma sólida e alinhada às demandas legais e de mercado. “O cooperativismo financeiro vive um ambiente de crescimento, maior complexidade operacional e aumento das exigências regulatórias. Nesse cenário, estruturas mais robustas de governança deixam de ser opcionais e passam a ser um fator de sustentabilidade”.

Como adotar a governança dual 

Para iniciar a transição para o modelo de responsabilidades compartilhadas, o primeiro passo é a capacitação de gestores cooperativistas. Segundo Erika Kimura, as lideranças devem ter formação sólida em governança, finanças, gestão de riscos e regulação. “Além do conhecimento técnico, são essenciais maturidade institucional, capacidade de atuação colegiada, independência de julgamento e visão de longo prazo”, sugere a especialista. 

Outro desafio importante para a migração é a mudança cultural, pois a governança dual exige clareza de papéis, disciplina institucional e respeito às instâncias decisórias, evitando sobreposições e conflitos de atribuições. Por isso, o processo deve ser planejado, gradual e acompanhado de capacitação contínua.

“Antes de migrar, é fundamental avaliar fatores como maturidade da cooperativa, qualificação de conselheiros e executivos, existência de estruturas eficazes de controles internos e gestão de riscos, e ainda a qualidade do fluxo de informações”, acrescenta.

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Fonte: Somos Cooperativismo/Sistema OCB

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