O cooperativismo brasileiro vive um momento de fortalecimento da liderança feminina. Nas cooperativas espalhadas pelo país, mulheres ampliam sua participação no quadro social, na força de trabalho e na gestão. Esse avanço também aparece na liderança do movimento, como no reconhecimento da presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, incluída na lista das 16 mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes — um marco que ganha ainda mais significado neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
Dados mais recentes do anuário coop mostram que as mulheres já representam 42% dos mais de 25,8 milhões de cooperados no país. Na força de trabalho das cooperativas, elas são maioria: 52% das pessoas empregadas no setor são mulheres. Os ramos com maior presença feminina são Consumo, Crédito, Saúde e Trabalho, produção de bens e serviços. Em algumas áreas, essa participação é ainda mais expressiva. No ramo Saúde, por exemplo, 75% dos empregos são ocupados por mulheres, enquanto no Crédito elas representam 59% da força de trabalho.
O protagonismo feminino no cooperativismo também se reflete nas lideranças que representam o setor, como o reconhecimento da presidente executiva do Sistema OCB, que assumiu o cargo em dezembro de 2025. Tania também é a presidente do Instituto Pensar Agro. Para ela, ampliar a participação feminina significa fortalecer o modelo de negócios. “O cooperativismo tem na sua essência a participação democrática. Quanto mais diversidade nas decisões, mais fortes e representativas são as cooperativas”.
Espaços para fortalecer a participação
Nos últimos anos, o cooperativismo brasileiro tem estruturado iniciativas voltadas à ampliação da presença feminina em diferentes níveis de atuação. Um dos principais exemplos é o Comitê Nacional de Mulheres do Sistema OCB, lançado oficialmente em 2020.
Criado para incentivar o protagonismo feminino no setor, o movimento atua em quatro frentes principais: representação institucional, intercooperação, formação e capacitação, além da elaboração de diretrizes para a criação de novos comitês dentro das cooperativas.
Atualmente, o país já conta com 19 comitês estaduais de mulheres, que promovem debates, capacitações e ações de mobilização para ampliar a participação feminina nas cooperativas e estimular a formação de novas lideranças.
Em 2025, o trabalho do comitê nacional avançou com ações de capacitação, incentivo à troca de experiências entre estados e fortalecimento da presença feminina em eventos do cooperativismo. Ao longo do ano, foram registradas cerca de 115 iniciativas.
Olhar para o futuro
A ampliação da participação feminina também foi reconhecida como prioridade estratégica para o cooperativismo brasileiro. No 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), realizado em 2024, diversas diretrizes aprovadas pelo setor apontam para a necessidade de ampliar a presença de mulheres — e também de jovens — nos espaços de gestão e governança das cooperativas.
O objetivo é garantir que o coop continue evoluindo de forma inclusiva e alinhada às transformações da sociedade. “No Dia Internacional da Mulher, o cooperativismo brasileiro celebra as conquistas já alcançadas, mas também reforça um compromisso: ampliar oportunidades, fortalecer lideranças e garantir que cada vez mais mulheres participem das decisões que moldam o futuro das cooperativas e das comunidades onde elas atuam”, completa Tania.
O Sistema OCB lançou, para celebrar esse Dia das Mulheres, uma iniciativa para dar visibilidade às vozes femininas no cooperativismo. A ação reúne depoimentos de 13 lideranças de diferentes ramos e regiões, que deram origem a três vídeos sobre liderança feminina, desafios e perspectivas no setor. O material também inclui peças e orientações para que cooperativas repliquem a iniciativa e ampliem o debate sobre a presença de mulheres nos espaços de decisão.
Fonte: Somos Cooperativismo/Sistema OCB